sofrimentoUma pergunta existencial,as vezes de caráter religioso,mas o fato é que todos indiscutivelmente já passaram,passam ou ainda irão passar por essa sensação não muito agradável que é o sofrimento.O sofrimento pode receber nomes diferentes de acordo com sua característica,a qual determinada pela sua ação,seja psicológica,biológica e até espiritual.
Pode se dizer que estou triste(psicológica) e por isso sofro,ou no momento tenho uma doença que produz dor(biológica)e por isso sofro,e também me sinto desamparado,preciso acreditar em algo,preciso de um propósito(espiritual) sentir este vazio,produz também o sofrimento.
Não quero pensar em livros de auto-ajuda que só dizem aquilo que queremos ouvir,não traz as claras algumas verdades ou refutações necessárias quanto ao sofrimento.

Alguns pensamentos ficam a borbulhar em nossa mente quando pensamos na causa do sofrimento,nos remete a imagem de Jó limpando suas chagas com cacos de telha ou a imagem de Jesus Cristo subindo o Calvário com sua cruz,e que para o Cristianismo o sofrimento é um caminho e não um fim,que sofrer é necessário,para receber a glória ou triunfo,padecer dores,ser perseguido,receber acusações,etc. é uma forma de sofrer como Jesus sofreu,é um processo pra se tornar divino,é ser provado para receber algo superior,que o sofrimento não é negativo e sim positivo,que a fé mantém a estabilidade diante do sofrimento.Basicamente no Cristianismo a causa do sofrimento foi o pecado original,é a priori de todas as mazelas que ocorre no mundo,é o motivo das guerras,das doenças,do desprezo,das loucuras humanas,das pestes,da destruição do planeta,da violência, dos vicios,do vazio existencial do homem,das maldades,dos estrupos e de toda dor e sofrimento.

Diferentemente o sofrimento é para Freud a angústia escondida no inconsciente,a qual a pessoa não tem o conhecimento claro de definir a causa,aquilo que se fala e que se queixa simplesmente são os efeitos da angústia,através da hipnose e técnica terapêutica por recordações e conversas se descobria a causa do sofrimento,e descobrindo a causa cessava naturalmente os sintomas.Para Freud a existência do sofrimento era um indicio da inexistência de Deus em sua preleção em 1944 ele disse:“Não parece ser o caso de haver um poder no universo que observa o bem-estar dos indivíduos com cuidado paternal e dirige seus interesses em direção à um final feliz. Pelo contrário, os destinos da raça humana não podem ser harmonizados nem com a hipótese de uma benevolência universal nem com a parcialmente contraditória hipótese de justiça universal. Terremotos, tsunamis, complicações que não fazem nenhum distinção entre os virtuosos e piedosos e os imorais e descrentes. Mesmo quando o que está em questão não é a natureza inanimada, mas quando o destino individual depende de suas relações com outras pessoas, não é de maneira alguma a regra de que o mal é punido e o bem recompensado. Freqüentemente são os espertos e ímpios que usufruem das boas coisas do mundo e o piedoso não usufrui de nada. São poderes obscuros, insensíveis e sem amor que determinam nosso destino. Os sistemas de recompensas e punições, que a religião descreve como governo do universo, parece não existir.”

Para Darwin também o sofrimento parecia uma razão decisiva contra a convicção da existência de Deus,seria revoltante segundo ele pensar que a bondade de Deus fosse limitada e que sendo Causa primeira de tudo,não explicasse a razão do sofrimento,também a caracterização de um Deus tirano no Antigo Testamento o reporta a esta idéia, sendo, em troca, explicável pelas leis de variação e seleção natural. Variação e seleção natural podem levar um animal a procurar o curso de ação que seja o mais benéfico à espécie, pelo sofrimento ou pelo prazer, embora, ao fim, Darwin acredite que a felicidade prevalecerá (Darwin 1993: 88-89). Não apenas poderia o sofrimento ser explicado por ‘causas naturais’ como também a conduta moral, a qual parece resultar de nossa ‘natureza’ enquanto baseada em sentimentos, desejos, recordações e reflexão – todos por sua vez baseados em nossos ‘instintos sociais’ – e evoluindo ao grau de um guia íntimo ou consciência, o último ‘juiz moral.’

Por último gostaria de fazer menção a um ponto de vista interessante sobre o sofrimento que é a cosmovisão oriental,o budismo diz que a causa do sofrimento é a “ignorância”,ou uma visão distorcida que temos da realidade,uma interpretação errada do mundo,a suposta a realidade ou realidade virtual que temos seria projetada de experiências e memórias passadas não simplesmente uma informação chegada do exterior.Um exemplo disso seria os sonhos e os pesadelos que temos,durante o sonho se experimenta sensações boas e ruins,no caso do pesadelo se soubéssemos que tudo aquilo era um mero sonho poderíamos dominar a situação e transcender o sofrimento.Na vida real da mesma forma,se haver a compreensão de que a suposta realidade de tudo o que se vê nem sempre é real,pode transcender o sofrimento.No budismo outra coisa interessante são os contrastes entre prazer e dor,na maioria das vezes pensamos que o prazer é positivo e representa um estado de harmonia,mas o prazer pode ser fonte sofrimento e a dor pode ser um caminho para harmonia.

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2 comentários para “Porque nos sofremos”
  1. A alegria e o sofrimento são inseparáveis como compassos diferentes da mesma música
    Abvraços forte

  2. A alegria e o sofrimento são inseparáveis como compassos diferentes da mesma música
    Abvraços forte

  3.  
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